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Notícias

Consciência Negra no Campus Paracatu

NEABI realiza I Seminário sobre afrocultura e afroconsciência

  • Por IFTM Campus Paracatu
  • Publicado em 27/11/2018 às 08:15
  • Última modificação 27/11/2018 às 08:17
Atividades realizadas durante o evento
Atividades realizadas durante o evento
Crédito: Prof. Magda Rita Duarte - IFTM Paracatu

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas do IFTM/Campus Paracatu realizou nos dias 20 e 21 de novembro o I Seminário sobre Afrocultura e Afroconsciência (I SAAFRO). A programação buscou atender as exigências da legislação (Lei n° 10.639/2003 e 11.645/2008) que inclui no currículo oficial da rede de ensino a temática “História e Cultura Afro-brasileira”, mas também promover reflexões consideradas importantes pelas instituições promotoras dos direitos humanos.
O evento agregou um público amplo: alunos dos cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio, Concomitantes e dos cursos de graduação puderam participar de diversas atividades. Foram realizadas mesas-redondas, conferências, leitura pública, roda de conversa, intervenções artísticas e culturais, além de minicursos e oficinas.
Entre as atividades mais concorridas, destacaram-se as oficinas de capoeira para iniciantes, de jogos africanos de tabuleiros, de amarração de turbante, de tranças e de maquiagem para pele negra.
Na oficina sobre “Cultura Alimentar: quitutes do quilombo”, a Senhora Irene Reis, da comunidade remanescente de quilombo, São Domingos, uma das muitas existentes em Paracatu, ensinou receitas de bolo de fubá e de pão de queijo com erva-doce aos inscritos, que também puderam degustar os produtos. Para o NEABI, é fundamental apresentar a cultura do quilombo na escola para que as novas gerações possam preservar os costumes das comunidades tradicionais do município.
Além da oficina de capoeira, aplicada com grande êxito pelo discente Lucas Tavares, os alunos também tiveram dois dias de aprendizado com as aulas sobre “Jogos africanos de tabuleiro” trazidos pela Professora Juscélia Cristina. A influência das raízes africanas na música contemporânea ocidental também foi realçada num concorrido minicurso sobre Black Music, ministrado pelo Professor Ernani Damasceno, em dois módulos disponíveis para os alunos do Integrado e dos Concomitantes. Os participantes também puderam pensar a influência dessas tradições na literatura, em minicursos propostos pelas Professoras Paula Lázaro e Viviana Pereira.
De seu turno, as conferências também trouxeram contribuições importantes. A Professora Maria Célia Gonçalves falou sobre as irmandades negras existentes em Paracatu, no século XVIII. Num diálogo bem dinâmico com a Professora Hellen Ulhôa, Presidente da Academia de Letras do Noroeste, a Professora Célia propôs reflexões acerca das marcas coloniais sobre dimensões religiosas e culturais da sociedade paracatuense. A historiadora Mariana Regis, de Brasília, por sua vez, proferiu uma conferência sobre a “Consciência Negra além do 20 de novembro”, entrecruzando os problemas do passado com os desafios do presente e do futuro, no que se refere às questões raciais.
Além da mesa dedicada às reflexões sociológicas e jurídicas sobre o racismo, com os Professores Renato Paulino e Samuel Duarte, as pesquisas sobre a questão racial, as quais vêm sendo desenvolvidas por alunos de iniciação científica no campus, do mesmo modo foram evidenciadas. Os pesquisadores juniores tiveram a oportunidade de expor seus projetos acerca de temas diversos como escravidão, violência contra a mulher negra, desigualdade racial entre outros.
A Leitura Pública do conto machadiano “Pai contra mãe”, igualmente, ganhou notoriedade. Com comentários das professoras Viviana Pereira e Daniela Prado, a atividade reuniu inúmeros alunos, os quais tiveram a oportunidade de refletir sobre a maneira como o reconhecido escritor brasileiro, Machado de Assis, pensou, no limiar do século XX, os problemas da escravidão e do processo abolicionista. Além disso, intervenções artísticas e culturais foram realizadas com a participação de vários alunos do IFTM/Campus Paracatu: leitura de poemas, apresentações musicais solo e pelo Grupo Musical do campus, dança de maculelê, roda de capoeira, mostra de cinema, festival de arte, entre outras atividades.
O NEABI considera que o I SAAFRO teve um saldo extremamente positivo. O envolvimento dos alunos e dos servidores da instituição foi essencial para o sucesso do evento. O Núcleo pondera ainda que as reflexões sobre as questões étnico-raciais merecem ser aprofundadas ao longo do ano e não apenas lembradas por ocasião do dia 20 de novembro, especialmente, considerando a história de Paracatu, o passado colonial, bem como o legado deixado pelos povos africanos para esta cidade.



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